domingo, 22 de agosto de 2010

Folclore Gaúcho 2

Crendices extraídas do livro Medicina campeira e povoeira
Hélio Moro Mariante - Martins Livreiro - 1984

Crendices e superstições

No capítulo referente à medicina mágica e supersticiosa relacionamos uma série de abusões, crendices e superstições, bem como os remédios usados pelo povo para a cura de determinados males, ou obtenção de graças por intermédio de orações e simpatias, principalmente quando se trata de moléstias de fundo psíquico.
A seguir trataremos de tabus, de não-presta, ou faz-mal, relacionados com a vida e a morte, com doenças, com a menstruação, gravidez e parto, e com uma série de outros estados a que sói ser levado o homem.
O verbete tabu aqui empregado tem o sentido de restrição, de proibição e principalmente de proteção contra algo que possa causar um mal, objetiva ou subjetivamente.

Sobre a morte

• Não se deve costurar roupa no corpo de uma pessoa, por que essa pessoa pode morrer muito breve, "só se costura no corpo mortalha de defunto". Se for necessário, proceder a costura dizendo "eu te coso vivo e não morto".
• Dormir com os pés virados para a porta da rua é agouro de morte.
• Doente que muda de cabeceira na cama está às portas da morte.
• Dormir sobre a mesa chama a morte.
• Treze pessoas sentadas à mesa ocasionará a morte de uma delas, geralmente da última que chegou.
• Cachorro que uiva à noite, coruja que pia em cima da casa, ou borboleta preta (bruxa) entrando na residência é sinal que a morte anda rondando alguém da família.
• Para que um defunto não inche, deve-se colocar uima chave na sua mão.

Sobre doenças

• Urinar contra o vento dá gonorréia.
• A urina do sapo cega.
• Mijar em cima de tijolo quente é bom para urina presa (anúria).
• Uma ferradura afixada numa porta evita que a doença entre na casa.
• encharcar um pedaço de pão com a saliva de cirnaça acometida de coqueluche e dando-o para um cão comer, a doença transfere-se para o animal.

Sobre mau-olhado, azar, olho-grande

• Matar um grilo traz azar.
• Matar um urubu atrasa a vida.
• Um colar feito com sete cabeças de alho previne contra o mau-olhado.
• É mau agouro colocar tições em forma de cruz no fogo.

Outros assuntos:

• Para obter um sono leve basta colocar sob o travesseiro um esporão de quero-quero.
• Menino que brinca com fogo, mija na cama.
• Urinar na água é o mesmo que mijar na cara da madrinha.
• Botar sal no fogo é atraso na vida.
• Cobra não morde mulher menstruada por que, se o fizer, morrerá.
• Mulher grávida não deve portar uma chave no seio, pois se assim proceder, a criança pode nascer com lábio leporino.
• Se a gestante apresentar a barriga arredondada, nascerá uma mulher; se mostrar-se pontuda, virá um homem.
• Pendurando-se uma aliança em fio de cabelo da gestante, se o seu movimento for para a frente e para trás, virá um menino; se for lateral, nascerá uma menina.

Nota do Cohen: Um dos maiores pesquisadores do RS, o comandante Hélio Mariante foi fundo e registrou a medicina campeira, o uso de várias práticas para a cura (calor, esterco, fumo, fitoterapia, açoterapia e vários outros). Além disso, anotou termos associados a doenças (barriga d'água, caroço, chiaço, cobreiro, pasmo, sangue grosso). Extemamente recomendável (e encontrável somente em sebos e bibliotecas) para pesquisas afins.