domingo, 22 de agosto de 2010

Folclore Gaúcho 6

Crendices extraídas do livro Assuntos do Rio Grande do Sul
João Cezimbra Jacques - Martins Livreiro - 1997

Conquanto o povo sul-rio-grandense em regra, não haja sido em tempo algum supersticioso, salvo exceções, entre os camponeses e os habitantes, dos bosques da Serra Geral, ou entre o elemento pastos das campinas e o elemento agricultor da dita Serra, não se deixavam de notar certas crendices: o nosso gaúcho alimentava as crenças de que os objetos perdidos apareciam, acendendo-se velas ao "Crioulo do pastorejo", e na perseguição pelo "Boitatá", e mais, que o meio de livrar-se dele, nas viagens à noite, consistia em desatar o laço dos tentos, deixando somente preso à cincha dos arreios, pela presilha, e de arrasto no terreno; dessa maneira essa cobra de fogo, assim denominado, isto é, o "Boitatá", atraído pelo ferro, prendia-se à argola do laço e assim ia arrastando por todo o trajeto, deixando de incomodá-lo; acreditava também, e é até hoje entre os camponeses certas simpatias para curar o gado de diversas espécies quando enfermo, com bicheiras ou outras enfermidades. Os povos agricultores já referidos acreditavam na existência do "Saci-Pererê", espécie de ser fantástico, tendo a figura de um negrito, o qual era encontrado à noite pelos caçadores ou andantes, sempre aos saltos ligeiros, nos matos e nas picadas, e que não era raro saltar na garupa do viajante a cavalo, ou fazer garatujas na frente do animal, interrompendo o trânsito ao ginete.

Finalmente, as lendas como estas crendices, só seria dado desenvolvre suficiente, em uma obra especial e não no curto espaço de que ora dispomos.

Nota do Cohen: Com sua primeira edição em 1912, comandante Cezimbra registrou naquela época inúmeros detalhes da vida em nossos pagos, o que colaborou com o esforço dos atuais historiadores. Autor de dois livros sobre o estado, "Assuntos do RS" e "Costumes do RS", sendo este primeiro disponível na Martins Livreiro.