terça-feira, 16 de agosto de 2011

Peça teatral "A Valise", de Paulo Sacaldassy

Peça para trabalhar com alunos de 8ª série/9º ano e 1º ano do Ensino Médio:

A Valise

NA SALA DE UM APARTAMENTO, UM HOMEM FALA AO TELEFONE.

Homem - A gente leva tudo na minha valise!… Cabe, sim!… Ela é bem espaçosa!

ENTRA A EMPREGADA COM UM ESPANADOR NA MÃO, LIMPA OS MÓVEIS. O HOMEM CONTINUA AO TELEFONE.

Homem – Você precisa ver! Ela é linda!…. Americana… To te falando!… Já dormi várias noites em cima dela!… Ela agüenta o tranco!

A EMPREGADA PÁRA DE LIMPAR E PRESTA A ATENÇÃO NO HOMEM, QUE AINDA FALA AO TELEFONE.

Homem – Não, não aconteceu nada com ela!… Olha só, a gente faz assim: Eu ponho as minhas coisas na frente dela e você põe suas coisas atrás dela… É… Se você preferir, eu ponho atrás e você na frente!… É um pouco apertado, mas ela agüenta!… Claro! Já falei pra você!

A EMPREGADA FAZ CARA DE ESPANTADA.

Homem – Então ta fechado!… Vou pegar a valise e já passo aí pra te pegar!… Um abraço!

O HOMEM DESLIGA O TELEFONE.

Homem – Que foi, Maria?
Empregada – Não foi nada, não, seu Zé Roberto!
Homem – E que cara é essa?
Empregada - É que…
Homem – Deixa eu ir que já estou atrasado!

O HOME SAI.

Empregada - Ai, meu Deus! Como é que pode um homem tão distinto que nem seu Zé Roberto trair a Dona Ana Maria? Logo com uma Americana!… E a safadeza? Ele, o amigo e a Americana! Cruz credo! (Se benze)… Coitada da Dona Ana Maria!

ENTRA A MULHER

Mulher – Coitada por quê?
Empregada - Não foi nada, não!
Mulher – Como não? Você acha que sou uma coitada por nada?
Empregada - Sabe o que é, dona Ana Maria…
Mulher – Não sei, Maria! Não sei!
Empregada - Foi sem querer que ouvi a conversa. Eu juro que não queria!
Mulher – Que conversa?
Empregada - Deixa pra lá, dona Ana Maria. Deixa pra lá!
Mulher – Desembucha, Maria! Coitada por que?
Empregada - O seu Zé Roberto ta traindo a senhora!
Mulher – O quê?
Empregada – E ainda ta fazendo safadeza com a Americana e com o amigo!
Mulher – Que Americana? Que amigo?
Empregada – Foi assim, ó! Eu vinha entrando pra passar os espanador nos móvel, quando ouvi o seu Zé Roberto falando no telefone.
Mulher – O que é quem tem?
Empregada – Eu ouvi ele falá pro outro que tem uma americana lindona! Que já drumiu num sei quantas noites em cima dela. E se outro quiser, pode colocar as coisa, na frente, ou atrás dela!
Mulher – Que conversa é essa, Maria?
Empregada – Como é mesmo o nome da Americana?
Mulher – E ele falou o nome?
Empregada - Falou sim! É que não consigo me alembrar! Acho que é Vasile!

A MULHER RESPIRANDO ALIVIADA.

Mulher – Não seria, valise?
Empregada – Isso! A senhora conhece ela?… Ai, meu Deus (E SE BENZE)
Mulher – Valise não é gente, Maria! Valise é uma mala pequena!
Empregada – A senhora ta brincando!

ENTRA O HOMEM TRAZENDO UMA VALISE.

Mulher – Olha aí o Zé Roberto com a valise!
Homem – Que é quem tem, a valise?
Empregada – Mas… E aquela conversa no telefone?
Mulher – (APRESENTANDO) Maria! Valise!… Valise! Maria!
Homem – Alguém pode me explicar o que ta acontecendo aqui?

A EMPREGADA OLHA ADMIRADA PARA PEQUENA MALA.

Mulher – Vamos que eu te acompanho. No caminho, te explico!
Homem – Vamos eu to atrasadíssimo! Até a volta, Maria!
Empregada – Inté!

HOMEM E A MULHER, SAEM.

Empregada – Diacho! Mania que esse povo da cidade grande tem de colocar nome difícil nas coisas! Mala é a mala, uaí! Mas, quer saber de uma coisa? Deixa eu cuidar da vida, senão acabo perdendo o emprego!

A EMPREGADA SAI DE CENA, PASSANDO O ESPANADOR NOS MÓVEIS.

Texto: Paulo Sacaldassy